A realidade é um espelho partido. Cada um de nós carrega no bolso um pequeno estilhaço de vidro, julgando possuir nele a imensidão do mundo. Olhamos para essa fração estreita e a chamamos de "vida", ignorando que o infinito acontece logo além da nossa moldura.
É por isso que a literatura não é um luxo, mas uma urgência da alma.
Quando abrimos as páginas de um livro, permitimo-nos o milagre de largar o nosso próprio fragmento para olhar através do vidro alheio. A literatura é o território onde as certezas estéreis dão lugar à beleza do inesperado. Nela, o "eu" se dilui no "outro"; aprendemos a enxergar as cores que nunca habitaram nossos olhos e a decifrar as dores que nunca feriram nossa pele. Cada narrativa nos devolve um pedaço perdido do espelho.
Ao costurar essas diferentes frações de mundo, criamos novos e profundos significados para a nossa própria existência. Deixamos de ser ilhas isoladas para nos tornarmos arquipélagos, conectados por fios invisíveis de empatia e poesia.
Venha comigo. Vamos recolher os estilhaços, cruzar as fronteiras do que julgamos saber e ampliar, juntos, a nossa visão da vida. O mundo é grande demais para ser visto de uma janela só.