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Nilson Rutizat
Escritor de coisas comuns!
Meu Diário
10/06/2026 22h59
Desimportante

Para hoje:

Muito mais essencial que se sentir importante é assumir a nossa desimportância. O mal do século é a síndrome do protagonista: se achar na posição de protagonista quando na verdade muitos estão figurando suas próprias vidas. 

Amo a frase da Ana Paula Renault quando ela diz "permita-ser mal visto" esse é um dos conselhos mais geniais que já ouvi. No entanto,  para ser completo para mim, eu acrescento outro: permita-se não ser visto, nós  não somos o sol para aparecer todos os dias. 

Dito isso, acato tais conselhos.  Sou o que sou e ser o que consigo já  me consome muito tempo.  

 

 

Publicado por Nilson Rutizat
em 10/06/2026 às 22h59
 
08/06/2026 21h26
Não é só ganho quando se ganha!

"A verdadeira pergunta não é o que você quer conquistar, mas sim: do que você está disposto a abrir mão?" – Mark Manson, autor do livro A Sutil Arte de Ligar o Foda-se.

 

     Sempre que quisermos conquistar algo, essa pergunta deve ser feita: do que estou disposto a abrir mão para ter o que tanto desejo? É importante mensurar tudo, até mesmo o que parece irrelevante, como aquele tempo que pensamos perder por não estar fazendo nada. Isso porque o nada que consideramos pode ser justamente o que equilibra a nossa rotina - o descanso necessário para a mente, para o corpo e para a bateria social. Também é fundamental considerarmos o tempo que passamos com a família e com os amigos. O que eu quero vale a pena diante da perda de algumas coisas que já tenho?

     Sei que precisamos seguir crescendo e evoluindo... não se trata de ficar estático, sem perspectiva. É sobre refletir a respeito dos nossos desejos, avaliar as nossas conquistas e valorizá-las. A vida é o equilíbrio que alcançamos entre o que temos e o que desejamos - algo difícil de ponderar, mas necessário. Muitas vezes almejamos algo que parece nos fazer felizes e, quando o conseguimos, as perdas são tão grandes que a felicidade some. Arthur Schopenhauer afirma que a existência humana é como um pêndulo que oscila entre a dor da falta (o desejo) e o vazio da conquista (o tédio). Por isso, vale sempre nos questionarmos se precisamos mesmo daquilo que almejamos ou se apenas o queremos para satisfazer o nosso ego.

     É que, frequentemente, nossa vida parece pequena, mesquinha... olhamos tanta gente conquistando o mundo e nos sentimos vivendo uma mesmice. Às vezes é isso que pensamos, o que revela outro grande problema: medir a nossa vida e o nosso sucesso com a régua alheia. Não sabemos o que há por trás da máscara que as pessoas vestem, nem do que elas abriram mão para chegar onde estão. O que consideramos um defeito em nossa jornada pode ser, na verdade, a nossa maior força. A famosa frase de Clarice Lispector merece atenção: "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." Portanto, precisamos compreender o que nos traz preenchimento real para não medirmos a nossa felicidade com o copo do outro.

     Essa pequena reflexão contrasta com o que a sociedade convencionou como sucesso: ser bem-sucedido profissionalmente, famoso ou esteticamente padrão. Nessa busca frenética, parece não haver espaço para relações, vivências e trocas significativas. O afeto não tem sido visto como sinônimo de vitória. Todavia, minha avó tem 80 anos e vive muito feliz; embora tenha sido dona de casa, criou bem seus treze filhos. Ela se considera uma mulher de sucesso pois, em suas palavras, "todos os filhos são honestos e nenhum virou bandido". Eu a considero extraordinariamente bem-sucedida. Não é fácil educar treze pessoas, transmitir valores e fazer com que todas, dentro de suas individualidades, sigam um caminho íntegro. E ela conseguiu.

     Sendo assim, precisamos entender que o triunfo na carreira não nos torna, isoladamente, pessoas bem-sucedidas. Ganhar muito dinheiro às custas da saúde mental não é bonito. Ser atraente e usar as pessoas, traindo parceiros e familiares, não deveria ser troféu. A vida sempre cobra o seu preço. Muitas vezes, na ânsia de ter, não percebemos o que estamos deixando pelo caminho, até que o tédio da posse chega e nos damos conta do que foi perdido. Dessa forma, repito: sempre que quiser algo, pergunte-se antes de tudo: do que estou disposto a abrir mão para ter isso?

 

Publicado por Nilson Rutizat
em 08/06/2026 às 21h26
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04/06/2020 16h36
O PROFESSOR FAZ FALTA

Quem é professor ou quem trabalha na educação sabe o quanto a indisciplina pode atrapalhar o aprendizado dos estudantes e o nosso trabalho. E não me venha dizer que o professor precisa se reinventar ou algo do tipo, a indisciplina é uma realidade em sala de aula. A maneira como os estudantes, não todos, enxergam o professor, assusta. É que estamos diante de uma visão de educação em que o estudante tudo pode e o professor não tem nenhum direito.

 Isso ocorre, na maioria das vezes, pela falta de princípios como respeito e a empatia. Você que estar lendo meu texto agora pode achar que eu sou tradicional, não é isso. No entanto, existem comportamentos e valores que são atemporais, o professor é um profissional que está em sala de aula para conseguir ganhar seu dinheiro e levar sustento para sua casa. E se todos os profissionais precisam e devem ser respeitados, por que o professor não?

Bem, mas não é para discutir a falta de valorização do professor que estou escrevendo essa crônica. De certa forma, é sim. Quero compartilhar com vocês uma constatação bem mais agradável. Aconteceu essa semana de um turma da escola onde trabalho se revoltar contra o Ensino Remoto, modalidade adotada em todo o Brasil devido a crise causada pelo coranavirus.

Se você estar lendo esse texto alguns anos depois de 2020, busque pesquisar sobre a pandemia que paralisou o mundo em 2020. A discussão começou num grupo de whatsapp de estudantes revoltados por não terem a presença do professor em sala de aula, alegavam energeticamente que o Ensino Remoto não substituía o professor em sala de aula, orientando a turma.

Como eu estava no grupo onde a discussão acontecia, decidi fazer com que eles refletissem sobre algumas questões. Primeiro os questionei sobre o fato de muitos estudantes não respeitarem as orientações dos professores, uma vez que enquanto o professor tenta orientá-los para o desenvolvimento de uma atividade, muitos não prestam atenção e outros dizem claramente que não farão.

Quando a discussão começou a mostrar algumas fragilidades do sistema educacional, principalmente aquela em que cobrem todos os estudantes de direitos e todos os professores de deveres, a discussão parou. Então pedi que eles refletissem e que pudessem levar esse momento como um tempo de aprendizado. E quando o professor, após a pandemia, estiver em sala de aula eles possam dar valor às aulas e ao esforço do professor.

Não sei se isso acontecerá, os estudantes mudarem de comportamento por conta desse momento. Mas sei que uma coisa o Ensino Remoto escancara, que a tecnologia na educação sem o professor, é obsoleta. Nesse tempo de Ensino Remoto, estamos ensinando aos nativos digitais como fazer login no e-mail, porque o domínio das ferramentas digitais que muitos têm são somente de redes sociais e jogos eletrônicos.

Eu sei, muitos irão dizer que isso também é culpa do professor, que há muito tempo já deveríamos ter inseridos as ferramentas digitais na educação. Numa educação sem nenhum estrutura, eu respondo. Muitas escolas sequer tem internet para o professor. E quase nenhum equipamento eletrônico, e quando tem é um ou dois para 20 professores. Se a gente consegue usar um projetor da escola em um mês, é sorte.

O professor faz falta sim. Faz falta porque é o único profissional que compra seus próprios instrumentos de trabalho. Faz falta porque tira de seu salário o dinheiro para a água, o café, as cotas que a escola joga em nossas costas, porque o governo não cumpre com sua obrigação. O professor faz falta porque carrega nos ombros a responsabilidade da família de educar, ensinar a respeitar, a dar bom dia, a ser gentil.

Sim, o professor faz falta. Mas ninguém se importa quando no fim do mês falta ao professor o dinheiro, a dignidade e um ambiente respeitoso e saudável para se trabalhar.

           

Publicado por Nilson Rutizat
em 04/06/2020 às 16h36
 
12/05/2020 08h35
UMA CRÔNICA DE DESIGUALDADES

Foi-se o tempo em que era necessário ir à rua para salvar o Brasil. O clamor de todos é para que se fique em casa. Estamos nos escondendo da maior ameaça da história recente à humanidade: o coronavirus. De que forma vamos sair dessa crise sanitária ainda não sabemos, o que se sabe é que se as pessoas não circulam, o vírus também não circulará. Daí a recomendação de muitas autoridades da saúde e da política para ficarmos em casa.

No entanto, o ficar em casa escancara, no Brasil, um problema já antigo: a desigualdade social. E nasce um dilema em meio a essa crise toda: como ficar em casa sem ter o que comer? Ou muitas vezes sem ter nem mesmo uma casa adequada, visto que milhões de brasileiros vivem amontoados em pequenos casebres, o que se configura por si só uma aglomeração doméstica. Em relação a isso, o governo federal criou um auxilio emergencial de R$ 600,00 para que essas pessoas pudessem ficar em casa.

E a questão da desigualdade social que ficou evidente com o isolamento social,  é agora escancarada com a ajuda do governo, uma vez que milhares de pessoas estão todos os dias em filas gigantescas nas agências da Caixa em busca desse dinheiro. Na mídia, o governo pede a todos para acessarem o aplicativo para conferir se o cadastro já foi aprovado. Pasmem! Milhares de pessoas não tem acesso à internet, outras milhares nem sequer sabem ler. E as necessidades só se somam e são evidenciadas.

Porém, aos olhos dos que governam a nossa nação, um cruel governo, tais reportagens, que evidenciam problemáticas sociais, é fruto de pessoas da esquerda com intuito de desestabilizar o governo. O mesmo governo que afirma em rede nacional que as pessoas morrem e pronto, segundo o governo, o importante é fazer a economia rodar, crescer... Os apoiadores seguem esse mesmo discurso e atacam a imprensa, os enfermeiros.

Mais uma vez eles tentam tapar os olhos, deles e dos que os seguem, para as problemáticas sócias, agora escancaradas na tevê, na internet e nas inúmeras filas das agências da Caixa. De novo irão esconder e taxar de bandidos todos os que moram em favelas. A desigualdade social no Brasil, aos olhos desse governo, precisa ficar afastada, nas periferias, no interior do Brasil, fora dos olhos da população mais abastarda. E a cada dois anos ir às urnas, pois, de acordo com o excelentíssimo presidente do Brasil, o pobre só tem uma utilidade na vida, votar, título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso.

 

 

Publicado por Nilson Rutizat
em 12/05/2020 às 08h35
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06/05/2020 22h10
Uma aglomeração de abraços e sorrisos!

Olá, queridos leitores, sinto-me mais próximo de vocês a cada texto escrito, pois a palavra é um carinho na alma, um afago no coração. E agora sabemos que os poetas sempre tiveram razão quando diziam que "quem ama quer está perto" e quando afirmaram que o "melhor lugar do mundo é dentro de um abraço". Hoje sabemos o quanto faz falta abraçar e estar perto das pessoas que gostamos. 

Sinto falta do meu trabalho, dos meus alunos que me estressavam. Sinto falta de meus colegas que sempre detestei, sinto falta de conviver. Tenho saudades até mesmo dos passeios chatos com amigos, muitos eu ia apenas para agradá-los, mas agora descubro que amava passear com eles. Não sabia que sentiria tanta falta da família reunida, dos parentes chatos e fofoqueiros. E até mesmo das brigas.

O vírus chegou e nos colocou em um casulo. É preciso evoluir. Como sairemos desses casulos? Não sei se melhor ou pior, mas de uma coisa eu tenho certeza: valorizarei muito a presença das pessoas em minha vida. Aproveitarei o tempo que cada ser humano me dedica e não reclamarei mais de falta de tempo, pois hoje me sobra tempo e me falta presença, abraço, estar junto. Não irei mais acordar emburrado na segunda-feira, comemorarei até mesmo o estresse dos colegas chatos do trabalho. 

O tempo que gastamos com a convivência, com os outros e com nós mesmos, é a isso que devemos dar o nome de vida. Viver não é ter, não é ser. Viver é se permitir sentir... o abraço, o afago, a brisa, o sorriso, o brilho... é sentir tristeza, beleza, chorar, sofrer, amar... é sentir que não suporta a saudade e quando abraça a pessoa esperada, sentir que não suporta a emoção do encontro.

Sim, agora, no nosso casulo, estamos descobrindo que viver também é sentir medo, empatia, alegria, angústia... mas, principalmente, sentir falta da vida pré-pandemia, que ainda não tínhamos descoberto que era boa, muito boa. Agora sabemos, nossa vida era bem melhor do que agora, já que não nos faltavam a presença e o abraço das pessoas que amamos. Não quero viver num casulo, quero viver numa aglomeração de abraço e sorrisos. 

 

 

Publicado por Nilson Rutizat
em 06/05/2020 às 22h10
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