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Nilson Rutizat
Escritor de coisas comuns!
Meu Diário
08/06/2026 21h26
Não é só ganho quando se ganha!

"A verdadeira pergunta não é o que você quer conquistar, mas sim: do que você está disposto a abrir mão?" – Mark Manson, autor do livro A Sutil Arte de Ligar o Foda-se.

 

     Sempre que quisermos conquistar algo, essa pergunta deve ser feita: do que estou disposto a abrir mão para ter o que tanto desejo? É importante mensurar tudo, até mesmo o que parece irrelevante, como aquele tempo que pensamos perder por não estar fazendo nada. Isso porque o nada que consideramos pode ser justamente o que equilibra a nossa rotina - o descanso necessário para a mente, para o corpo e para a bateria social. Também é fundamental considerarmos o tempo que passamos com a família e com os amigos. O que eu quero vale a pena diante da perda de algumas coisas que já tenho?

     Sei que precisamos seguir crescendo e evoluindo... não se trata de ficar estático, sem perspectiva. É sobre refletir a respeito dos nossos desejos, avaliar as nossas conquistas e valorizá-las. A vida é o equilíbrio que alcançamos entre o que temos e o que desejamos - algo difícil de ponderar, mas necessário. Muitas vezes almejamos algo que parece nos fazer felizes e, quando o conseguimos, as perdas são tão grandes que a felicidade some. Arthur Schopenhauer afirma que a existência humana é como um pêndulo que oscila entre a dor da falta (o desejo) e o vazio da conquista (o tédio). Por isso, vale sempre nos questionarmos se precisamos mesmo daquilo que almejamos ou se apenas o queremos para satisfazer o nosso ego.

     É que, frequentemente, nossa vida parece pequena, mesquinha... olhamos tanta gente conquistando o mundo e nos sentimos vivendo uma mesmice. Às vezes é isso que pensamos, o que revela outro grande problema: medir a nossa vida e o nosso sucesso com a régua alheia. Não sabemos o que há por trás da máscara que as pessoas vestem, nem do que elas abriram mão para chegar onde estão. O que consideramos um defeito em nossa jornada pode ser, na verdade, a nossa maior força. A famosa frase de Clarice Lispector merece atenção: "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." Portanto, precisamos compreender o que nos traz preenchimento real para não medirmos a nossa felicidade com o copo do outro.

     Essa pequena reflexão contrasta com o que a sociedade convencionou como sucesso: ser bem-sucedido profissionalmente, famoso ou esteticamente padrão. Nessa busca frenética, parece não haver espaço para relações, vivências e trocas significativas. O afeto não tem sido visto como sinônimo de vitória. Todavia, minha avó tem 80 anos e vive muito feliz; embora tenha sido dona de casa, criou bem seus treze filhos. Ela se considera uma mulher de sucesso pois, em suas palavras, "todos os filhos são honestos e nenhum virou bandido". Eu a considero extraordinariamente bem-sucedida. Não é fácil educar treze pessoas, transmitir valores e fazer com que todas, dentro de suas individualidades, sigam um caminho íntegro. E ela conseguiu.

     Sendo assim, precisamos entender que o triunfo na carreira não nos torna, isoladamente, pessoas bem-sucedidas. Ganhar muito dinheiro às custas da saúde mental não é bonito. Ser atraente e usar as pessoas, traindo parceiros e familiares, não deveria ser troféu. A vida sempre cobra o seu preço. Muitas vezes, na ânsia de ter, não percebemos o que estamos deixando pelo caminho, até que o tédio da posse chega e nos damos conta do que foi perdido. Dessa forma, repito: sempre que quiser algo, pergunte-se antes de tudo: do que estou disposto a abrir mão para ter isso?

 

Publicado por Nilson Rutizat
em 08/06/2026 às 21h26
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