NILSON RUTIZAT
Escrever para mim é como respirar, eu preciso escrever para continuar vivo.
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Perfil Livros à Venda Prêmios Contato Links
Textos
Um amor de cordel
É assim que eu começo
Escrevendo essa história
De tristeza e vitória
E de outras coisas também,
O que na vida acontece
E a gente nunca esquece
É o amor que a gente tem.

O amor é um dom divino
Que humanos inventaram
E depois se apaixonaram
E inventaram a paixão,
Mário Nino se apaixonou
A paixão e o amor
Guardou em seu coração

Reprimindo esse amor
Era assim que ele vivia,
Era o que ele fazia
Sofria sem explicação,
Amava aquela moça bonita
Que se chamava Anita
A dona do seu coração

Numa festa que ele foi
A que jamais esqueceu
Anita ele conheceu
E logo soube o que é amar,
A ela ele se entregou
Falou de romance e amor
E já pensava em casar

Nem sabia quem era ela
Também não quis saber
O que queria era viver
Aquele belo momento,
Sem se importar com nada
Pensando na sua amada
Esquecendo o sofrimento

Só que Anita era filha
De um grande valentão
Que assustava a população
Com a sua tal coragem,
Em nenhuma briga faltava
E a qualquer hora matava
Sem nenhuma piedade

Dó Canhoto era o nome
Desse cara não contente
Dessa fera quase gente
Desse homem quase fera,
A filha, sozinho criou
Com carinho e amor
E educação deu a ela

Amava muito sua filha,
Pois a esposa perdeu
Muita nova ela morreu
Deixando somente Anita
Aquela pequena menina
Não dona da sua sina,
Porém muito bonita.

E Dó Canhoto era temido
Por causa da profissão
Pistoleiro era a sua ocupação
Matava sem perguntar,
Fazia isso por dinheiro
E se tornou fazendeiro,
Mas não parou de matar.

Porém, sua filha Anita
Nada disso sabia
Não via o que o pai fazia,
Pois ele não aceitava,
Que ela ficasse sabendo
Que tinha gente morrendo
Pra ela ter o que precisava.

Vamos então saber
Como a mãe de Anita morreu
Como foi que sucedeu
Esse terrível assassinato,
Sim, alguém a assassinou
Jurandir Nino a matou
Por causa de um boato.

Mercedes a mãe de Anita
Do boato não sabia
Isso ela não merecia,
Mas ele nem quis saber,
Só falava em matar
Dizendo se vingar
Do que fizeram acontecer

Esse tal acontecimento
Uma suposta traição
Uma nova paixão
Que teria sua esposa,
E Mercedes era culpada
Por conduzir sua amada
Ao amante Zé Raposa

A coitada de Mercedes
Nem Zé Raposa conhecia
De nada ela sabia
Só que ele não acreditou,
E sem nenhuma compaixão
Matou Mercedes e então
Pouco depois se matou

E aquela tal viúva
Que era sua esposa
Fugiu com Zé Raposa
Deixando o filho sozinho,
O menino a vizinha pegou
E como filho criou
Dando-lhe muito carinho.

Foi a partir daí que
Dó Canhoto virou
Um cara sem amor
Um matador profissional,
Jurou sobre sua amada
Que ela seria vingada
Que ele mataria a Val.

Porém, a Val e o Zé
Ninguém mais os viram
No mundo os dois sumiram
Sem deixar nem endereço,
E para criar coragem
Dó entrou na pistolagem
Matando por seu preço.

Agora que você conhece
Um pouco da situação
Vamos voltar à paixão
Falar do jovem apaixonado,
Que só vivia a pensar
Pensava no que falar
Para o seu anjo encantado.

Ele descobriu que Anita
Numa fazenda morava
E que longe não ficava
Da sua humilde morada,
Decidiu mesmo sem tenda
Ir até a tal fazenda
Para ver a sua amada

A caminho da fazenda
Não sabia o que pensar
No que pudesse falar
Para ela entender,
Que ele a amava de verdade
E que morria de saudade
E de amor estava a padecer.

Como o pensamento distante
De longe ele avistou
Uma coisa parecia terror
Um cara o outro matando,
De mão a uma pistola
Deu três tiros sem demora
E depois foi se mandando,

Mário Nino ao ver aquilo
Prestou muita atenção
E viu que era o valentão
O que a todos assustava,
Mário ficou preocupado
E também muito assustado
Pensando se aquilo contava

Durante todo o caminho
Em que estava andando
Só naquilo ia pensando
Sem saber o que fazer,
Pensava a todos contar
Pensava também se calar
E decidiu nada dizer.

Pensava em Anita
Que ali próximo morava
Aquilo lhe assustava
Temia por sua amada,
Tinha medo que o valentão
Matasse a sua paixão
E ficasse tudo por nada.

Com o pensamento aflito
Na fazenda ele chegou
Anita logo se alegrou
Com a presença do amado,
Cumprimentou-o ao chegar
Convidou pra se sentar
Naquele banco ao seu lado

Ao ver Anita contente
Mário nem quis saber
Daquilo que acabara de ver
E logo se abraçaram,
Um abraço de emoção
E pra acelerar o coração
Pouco depois se beijaram

Foi um beijo de paixão
Que Mário não esperava
Aquilo lhe emocionava
Disparava seu coração,
Era um beijo de amor
Cheio de carinho e calor
Que lhe trazia emoção.

Um dia maravilhoso
Que acabava de terminar
Eles tinham que se deixar,
Pois Mário tinha que ir,
Precisava voltar à cidade
E já morrendo de saudade
Despediu-se a sorrir.

Ao voltar para casa
Mário estava contente
Foi quando de repente
Encontrou o valentão,
Suas pernas logo tremeram
Seus órgãos quase padeceram
Ao receber a cumprimentação

O valentão disse a ele:
- Como vai jovem rapaz?
O que é que você faz
Essas horas nessa estrada?
Mário assim respondeu:
- Meu patrão desculpa eu
É que fui ver minha amada!

O valentão lhe acenou
Com o jeito muito ativo
Deu sinal de positivo
E depois se mandou,
Mário ainda tremendo
De medo quase morrendo
Da testa, o suor enxugou.

A caminho de sua casa
Mário foi esquecendo
Todo o medo foi perdendo,
Pois ele tinha que esquecer
Todo o medo que sentiu
Aquela morte que ele viu
Não podia mesmo dizer.

Ao chegar a sua casa
Dó canhoto encontrou
Sua filha, seu amor.
Que parecia contente,
Sem saber o porquê
E até mesmo sem querer
A chamou de inocente

Anita abraçou seu pai
E saiu para o rio
E mesmo com aquele frio
Decidiu ir mergulhar,
Vai sorrindo com o vento
Ouve plantos e lamentos
E sai correndo para lá

Vai então até a casa
Para ver o que era aquilo
Ver uma mulher e seu filho
Chorando sobre o defunto,
Aos plantos todos estavam
E do assassinato falavam,
Era esse o assunto.

O homem ali morto
Era o seu Juvenal
Um velho cara de pau
Marido de dona Abigail,
Pai do menino Benedito
Irmão do nego expedito
E de Antônio era tio

Benedito sempre chorando
Fazia um juramento
Jurava naquele momento
A morte de seu pai vingar,
Aquele pobre menino
Jurava matar o assassino
Passe o tempo que passar.

Anita ao ver aquilo
Ficou muito assustada
E saiu em disparada
Foi o seu pai avisar,
Chegando tudo a ele contou
E ele se assustou
E foi correndo pra lá.

Dó ofereceu sua ajuda
Ao filho do finado
E mesmo apavorado
Ajudou toda a família,
Mesmo não sendo seu mundo
Ajudou a mulher do defunto
Pra proteger sua filha.

Mário Nino ficou sabendo
Do que havia acontecido
Ficou um pouco entristecido
Com aquele acontecimento,
Resolveu ir até lá
E Anita foi encontrar
E mostra seu sentimento,

Pegou todas suas tralhas
E para a fazenda viajou
E logo no seu destino chegou
E com a situação ficou assustado,
Encontrou na casa o valentão
Ficou de coração na mão
Ao ver Anita ao seu lado.

Ela se aproximou dele
E disse: - Esse é meu pai
De casa hoje ele não sai,
Pois precisa ficar aqui,
Eu não quero ficar sozinha
A atenção dele hoje é minha
Eu não o deixarei sair

Dó Canhoto olhou Mário
E ao mesmo tempo falando:
- Nós já nos encontramos
Só não fomos apresentados,
Conheci-o no caminho
Estava viajando sozinho
Aqui mesmo pra esses lados.

Disse Anita: - Então,
Eu vou a você apresentar
Não tenho muito a falar
Papai esse menino,
Mário Nino é como se chama
É o homem que me ama
E me deu muito carinho

Dó Canhoto meio tenso
Perguntou muito assustado:
- Ele é seu namorado?
Responda-me sem demora,
Anita disse que sim
E ele respondeu ponha um fim,
Pois Mário daqui vai embora.

Mário Nino já com medo
Nem esperou a despedida
Temendo perder sua vida
Foi embora já correndo,
Anita gritou ao vê-lo sair
Pediu pra ele não ir,
Mas ele corria tremendo.

Dó Canhoto então falou
Daquela triste situação
Contou pra ela a razão
Falou da mãe dela que morreu,
Disse ter sido o pai de Nino
Foi o pai daquele menino
Que separou ela e eu

Anita ficou apavorada
E a historia não aceitou
Foi atrás do seu amor
Foi Mário Nino encontrar,
E contou tudo pra ele
Tudo que seu pai falou dele
Ela a ele foi contar

Mário Nino ficou surpreso
Como qualquer um de vocês
Fez a cara que você fez
E foi a sua mãe perguntar,
E sua mãe não hesitou
E tudo a ele contou
O coitado pôs-se a chorar.

Anita saiu correndo
E a Mário Nino xingando
E ele ficou olhando
Ela gritar desesperada,
- Malditos sejam os “Ninos”
Esse bando de assassinos
Que mataram minha mãe amada

Mário não esperou
E atrás dela foi, e então
Encontrou o valentão
Que zangado lhe falou:
- Seu pai acabou com uma família
Fique longe da minha filha
E esqueça esse tal amor.

Desesperado e abatido
Voltou pra casa chorando
E em Anita pensando
Sem saber o que fazer,
Não sabia o que fazia
Nada daquilo entendia
Nem queria entender

Passou então a viver
De choro e lamentações
Não tinha mais emoções
Sua vida estava perdida,
Pensava em viver sua paixão,
Mas tinha o tal valentão
Que lhe ameaçava a vida.

Anita amava Mário,
Mas não podia aceitar
Que pudesse se casar
Com um filho de assassino,
Decidiu namorar Benedito
Aquele menino perdido
E tão diferente de Nino.

Dó Canhoto Aprovou
O namoro da menina
Que seguia uma sina
De não viver seu amor,
Mas Dó estava contente
Por vê-la longe daquela gente
Que a sua mulher assassinou.

Enquanto tudo isso acontecia
Mário vivia como indigente
Sentia-se impotente
Por não manter sua relação,
Acreditava vê-la um dia
E ele não a esquecia
Vivia sozinho a paixão.

Foi através de Benedito
Que Mário ficou sabendo
Do que estava acontecendo
Com Benedito e Anita,
Os dois foram se apaixonando
E estavam namorando
Era o fim daquela historia bonita.

Muito triste e perdido
Foi assim que Nino Ficou
Perdeu o seu amor
E não tinha o que fazer,
Ela ama o cidadão
Tem o apoio do valentão
Não tem pra onde correr,

Foi então que ele lembrou
Que viu o tal valentão
Naquela estranha situação
Matando o tal Juvenal,
Decidiu com aquilo acabar
E foi a Anita contar
Aquela historia do tal.

Foi ao encontro de Anita
Naquele clima tão frio
Sentada a beira do rio
Olhando o roseiral,
Ele dela se aproximou
E na lata assim contou:
- Seu pai matou Juvenal!

Com o susto da notícia
Eles nem puderam ver
Que tinha alguém a se esconder
E toda a conversa escutando,
E Mário aproximou-se medroso
Ela a chamou de mentiroso
E já foi se afastando.

Saiu correndo pra casa
E logo três tiros ouviu
E em casa ela viu
Seu pai caído morrendo,
Alguém correndo saia
E muito barulho fazia
Ela viu Benedito correndo.

Ele havia ouvido a conversa
E já com esperança
De concretar sua vingança
Foi a Dó Canhoto matar,
E chegou lá e atirou
E depois foi que falou
Que vinha seu pai vingar,

Benedito sem demora fugiu
E Dó Canhoto ali morreu
Anita também sofreu
Ficando no mundo sozinha,
Porém Mário não a deixou
E a ofereceu seu amor
E sua paixão junta vinha.

Mesmo com a dor
De perder o seu pai
Da fazenda ela não sai
Decidiu ali mesmo morar,
Dividindo com Mário
Sua casa, seu armário.
Até mesmo o respirar,

Mas a paz não era
Para a vida inteira
Havia também a poeira
Que não tinha baixado,
Benedito voltou à cidade
Dizia está com saudade
Por Anita apaixonado

Sabendo disso, Anita
Sem demora partiu
Foi encontrar ele no rio
Como ele mesmo queria,
Deu dois tiros no safado
Depois olhou ele afogado
Enquanto ele morria.

Mesmo ela não querendo
Não escondia a vocação
Não negava a geração
Sua sina era matar,
Mas não era pistoleira
Ela era uma justiceira
Que veio bem a “acalhar”.

Diferente de seu pai
De nada se escondia
Mário também sabia
Do que ela vivia a fazer,
E mesmo com medo e pavor
Acompanhava seu amor
No seu duro dever.

Anita e Mário se casaram
E então Natan Nasceu
Um filho que apareceu
E com ele a felicidade,
Foi grande a emoção
O fruto de uma paixão
E o fim de uma inimizade

Não me pergunte amigo
Se foram felizes para sempre
Ou se vivem todos contentes
Por que não sei responder,
O que posso aqui falar
E que eles podem enfrentar
O que na vida aparecer

Aqui eu paro de contar,
Pois a história não tem fim
Não ponha a culpa em mim
Por não seguir a historia contando,
Não se irrite com a situação
Use sua imaginação
E continue na historia pensando...

Uma história nunca tem fim, apenas recomeço.
Nilson Rutizat
Enviado por Nilson Rutizat em 17/06/2012
Alterado em 05/01/2015
Copyright © 2012. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários