NILSON RUTIZAT
Escrever para mim é como respirar, eu preciso escrever para continuar vivo.
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Perfil Livros à Venda Prêmios Contato Links
Textos
POR DETRÁS DO ARBUSTO

 
          Os pássaros sobrevoavam o pequeno lago na espera de uma oportunidade para beberem daquela água. O mato em tom amarelado denunciava a falta de chuvas, as folhas caiam. E o sol reinava no céu de cor azul, nenhuma nuvem se atrevia a passar por ali. Mas ela parecia ignorar todo o cenário, afastava-se do lago e corria para depois mergulhar nas águas barrentas, espantando um ou outro pássaro que ousava pousar próximo da água.

            Por detrás de uns arbustos amarelados, escondido feito criminoso, um jovem de uns 16 anos observava interessado aquela cena. Não se mexia para que a menina de olhos cor de mel e cabelos cacheados não percebesse sua presença, e assim ele pudesse ver a roupa molhada em seu corpo adolescente. Na rodovia, ao lado do lago, um vai e vem apressado de carros ignorava o que ali acontecia. Enquanto o menino continuava a disfrutar da imagem angelical daquela quase mulher.

            Era pouco mais de três horas da tarde. E não tinha nenhum motivo para que ela estivesse sozinha naquele pequeno lago tomando banho. A verdade é que ela nunca precisava de motivos para fazer o que bem quisesse. Se sentisse vontade de correr de madrugada, corria. Se no dia seguinte quisesse dormir até meio dia, dormia. Assim era a menina do Restaurante da Rodovia.

            Quando ele estava desistindo de observá-la, já entediado com a correria e o mergulho dela, repetidos por mais de vinte vezes naquele curto período de tempo, eis que ela decidiu ir embora. E para sorte dele, retirou a blusa e ficou nua da cintura para cima, apresentando aos pássaros a beleza de seu corpo e a perfeição de seus seios. Boquiaberto e com um formigamento no corpo, ele sentiu uma explosão de hormônios e um desejo tão grande tomar conta de todas suas células. Não podia se mexer para não denunciar sua presença, mas desejou correr até ela e beijá-la toda.

            O vislumbre dessa imagem não durou muito tempo, mas o suficiente para que ficasse eternizada na memória do menino. Ela vestiu novamente a blusa e saiu correndo rumo à sua casa como se tivesse pressa. Deixando no lago o sabor do seu corpo nu e o aroma do desejo exalado por suas curvas femininas. Nele ficou o deslumbre daquele momento inigualável, que fazia seu corpo todo se manifestar por vontade própria. 

            A menina sumiu na curva da estrada paralela à rodovia. Então, ele olhou para um lado e para o outro a fim de saber se estava realmente sozinho, ninguém. Não viu ninguém. Apenas o movimento dos pássaros pousando na beira do lago, e na rodovia o vai e vem dos carros continuava incessante como a correia de um motor ligado. Mas ninguém que passava naquela estrada podia vê-lo, ainda mais em tamanha velocidade. Certo de sua privacidade, ele fez o que qualquer homem faria após ver uma cena como aquela.

            Não demorou muito até que ele voltasse ao seu normal. Com os hormônios calmos e o sol já quase deitado em seu travesseiro noturno, então foi para casa. O dia tinha sido bom, ele pensava sorrindo para sabe-se Deus o que. Não, o dia tinha sido ótimo. O fim de semana tinha sido salvo. E ele, enfim, tinha conseguido ver os seios de Rosa. Não na transparência da blusa molhada, como ele achou que seria quando a seguiu para vê-la tomar banho no lago. Ele tinha visto os seios dela sem nenhuma proteção. Nus. Lindos e desejáveis ao brilho do sol.

            Ao contrário de Rosa, ele seguiu pela rodovia rumo a sua casa. Devagar ia caminhando como se estivesse contando os passos. O sol não podia ser mais visto e as luzes dos carros se acenderam como vagalumes. Tudo estava mais bonito aos olhos dele. Ele conseguiu. Já não importava quantas vezes ficou ali escondido olhando ela na beira do lago sem que ela nunca entrasse na água. Sempre fazia algo inesperado: corria sozinha em torno do pequeno lago. Conversava com os pássaros que demonstravam não gostar dela.  E fazia tudo que ninguém nunca faria a beira de um lago. Banho? Nunca.

            Esse era, portanto, um dia especial. Não tinha explicação porque justo nesse dia, uma tarde de domingo, ela havia decidido tomar banho. Não importava. Não para ele, que acabava de ter seu prêmio conquistado. Um prêmio muito maior do que havia desejado. Ela estava nua diante dele. E, agora, caminhando no acostamento da rodovia ele se perguntava: por que não desfrutou daquele corpo? Desse pensamento nasceu um novo desejo. Um desejo que ia muito além de admirar, escondido em arbustos, o corpo dela.
Nilson Rutizat
Enviado por Nilson Rutizat em 30/07/2020
Alterado em 30/07/2020
Copyright © 2020. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários